terça-feira, 15 de abril de 2008

Os Passos de Anchieta na Barra do Jucu


MÁRCIO DE PAULA FILGUEIRAS
OS PASSOS DE ANCHIETA NA BARRA DO JUCU

Trabalho apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para conclusão da disciplina Rituais e simbolismo no mundo moderno (EGH 00083), ministrada pelo prof. Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto.
NITERÓI
2006

Introdução
Neste texto tomo como objeto de análise o evento chamado “Passos de Anchieta”, organizado pela ABAPA1, a partir de dados coletados em entrevistas e do que pude observar na Barra do Jucu, um dos centros que compõe a peregrinação. Segundo Carlos Magno (Lilico), um dos idealizadores e organizadores do evento, a caminhada surgiu em 1998, a partir de uma motivação que incluiu objetivos diversos, como um resgate religioso e a oportunidade de implementar o turismo e a consciência ecológica, já que o itinerário percorre 105 Km do litoral capixaba.
O trajeto foi estabelecido a partir de um estudo histórico que reconstituiu o caminho percorrido pelo jesuíta José de Anchieta, quinzenalmente, no século XVI, entre a vila de Rerigtiba (hoje município de Anchieta) situada na região sul do estado do Espírito Santo e a vila de Nossa Senhora da Vitória (hoje a capital Vitória), onde ficava o Colégio de São Tiago (hoje Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual), onde o padre ministrava aulas.
A observação que fiz se restringiu à localidade de Barra do Jucu, que compõe o trajeto e é tida com um dos pontos de parada do padre, onde teria rezado missas no lugar onde hoje há uma igreja. Portanto, se a etnografia que apresento faz referência à peregrinação como um todo, tem ênfase sobre o que acontece e pude observar na Barra do Jucu.
Além do contato com Lilico, entrevistei também o padre Otaviano, da paróquia local de Nossa Senhora dos Navegantes, participantes da peregrinação e um ator que mora na localidade, Paulo De Paula, escritor da peça Anchieta: Depoimento, apresentada todos os anos, quando da passagem dos andarilhos.
Escrita em 1976, a peça produziu no ator, à época, a motivação de uma caminhada espontânea, num trecho reduzido, entre Barra do Jucu e o Convento da Penha, no centro de Vila Velha, com o objetivo de inspiração pra protagonizar o personagem de Anchieta.
Peregrinação como processo
Neste texto, tomo a peregrinação dos “Passos de Anchieta” como uma unidade dentro do processo social. Em oposição à visão das relações sociais e da sociedade como algo extremamente fixo, a idéia de processo permite vislumbrar duas dimensões da vida social: uma dinâmica, em que as unidades dentro do processo são vistas como inacabadas, compondo claramente partes de um todo (estrutura2 temporal); e uma dimensão estática, que se refere ao modelo, com começo, meio e fim, que os participantes têm em suas mentes (estrutura atemporal). A dinâmica e a estática não são dimensões estanques do processo social, mas é através da dinâmica que a estática se revela (Turner, 1974b: 23-59).
Podemos isolar unidades dentro do processo social, sejam elas rituais, dramas sociais, empreendimentos sociais (social enterprises) ou peregrinações. Estas unidades processuais têm em comum algumas características, dentre as quais, pretendo desenvolver ao longo do texto, a forma processual, a liminaridade, o caráter performativo (onde as ações são desempenhadas para significarem a uma audiência) e o simbolismo.
Realizada anualmente, no feriado de Corpus Christi, segundo Lilico para aproveitar a disponibilidade dos participantes, a peregrinação dura quatro dias. Em anos anteriores era feita em três, mas como era muito massacrante para os andarilhos, a organização estendeu para quatro dias.
Podemos, portanto, falar em uma forma processual da peregrinação, dividia em quatro sub- unidades. No primeiro dia os andarilhos partem de Vitória e vão até a Barra do Jucu, bairro localizado em Vila Velha. No segundo dia seguem para Setiba, bairro localizado em Guarapari. No terceiro dia seguem para a localidade de Meaípe, também em Guarapari. No quarto dia seguem para Anchieta.
Cada trajeto possui uma série de pontos seqüenciais3. Estes pontos possuem significados simbólicos diversos: históricos, religiosos, ecológicos. Como não pude fazer uma etnografia de toda a peregrinação, me concentrei, a partir das conversas com informantes e do que observei na Barra do Jucu, no simbolismo dominante do padre Anchieta.
Símbolos na peregrinação
Victor Turner (2005: 61-64) faz uma distinção entre símbolos4 dominantes, que condensam os significados mais fundamentais de um ritual (em nosso caso da peregrinação) e os símbolos instrumentais, que servem como meios de atingir os objetivos fundamentais propostos pelo símbolo dominante. O autor enumera ainda três propriedades dos símbolos rituais: condensação de significados; unificação de significados díspares e polarização dos significados (Turner, 2005: 58-59).
Durante todo o percurso, o símbolo dominante é a figura religiosa do jesuíta José de Anchieta5, vestido com hábito negro, esta cor representando a morte para o mundo profano, apoiado sobre um cajado, e corcunda, em função de uma tuberculose óssea que o afligia.
Anchieta aparece em diversas mídias (Tambiah, 1985), de forma a intensificar a experiência dos participantes: impresso nas camisas dos andarilhos, nos materiais de divulgação da peregrinação, na peça apresentada todos os anos, é referido no próprio nome do evento (Passos de Anchieta) e nomeia também a cidade que é o centro final da jornada (Anchieta, antiga Rerigtiba).
Por um lado, Anchieta simboliza a superação física dos obstáculos e do cansaço6, (pólo sensorial do símbolo) e, por outro, serve de paradigma ético de conduta social, que oferece lições de vida, de perseverança, (pólo ideológico do símbolo) aos andarilhos.
Esta é uma percepção mais ou menos consensual entre os participantes, como pude constatar em conversas informais. Ao longo da caminhada, os pontos seqüenciais alcançados pelos peregrinos podem ser tomados como símbolos instrumentais, cada vez mais densos, do mérito de se completar a trajetória, mérito este condensado pelo simbolismo dominante da figura do jesuíta e que culmina na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, que Anchieta ajudou a construir e que é o centro final da peregrinação, no município de Anchieta.
Liminaridade
Como sugere Victor Turner, muitas das unidades sociais que podemos destacar dentro do processo social, como os dramas, os rituais de passagem e as peregrinações, produzem períodos característicos, em que os laços, oposições e hierarquias sociais característicos da vida cotidiana são colocados em suspensão, amenizados, compondo uma interestrutura, uma liminaridade.
A liminaridade vem acompanhada na peregrinação pelo surgimento de um sentimento de communitas entre os participantes, ou seja, um sentimento genérico de ligação, de pertencimento, reconhecido, sobre todas as diferenças e oposições presentes no cotidiano. Este sentimento é enfatizado pelo distanciamento espacial proporcionado pela peregrinação, onde os participantes se vêem afastados dos locais onde costumam realizar-se as relações sociais ordinárias, estruturadas, hierarquizadas (Turner, 2005; 1974b).
Enquanto José de Anchieta fazia tanto o caminho Anchieta- Vitória (sentido norte), quanto Vitória-Anchieta (sentido sul), a peregrinação aqui descrita envolve apenas o sentido Vitória- Anchieta. A cidade de Anchieta tem uma característica periférica, já que está fora do centro metropolitano conhecido como Grande Vitória, o que por si só enfatiza a liminaridade espacial da peregrinação, como fora proposto por Turner (1974b: 197).
Aqui se tornam relevantes as distinções feitas por Turner (1974 a; 1974b) entre communitas espontânea, normativa e ideológica. As peregrinações de José Anchieta se incluem na categoria de communitas espontânea ou existencial, uma vez que o padre fazia este longo percurso como forma de distanciar-se do mundo (em sua dimensão estruturada), ao mesmo tempo em que se aproximava das camadas mais simples da sociedade, caminhando, mergulhado em sua fé7.
Além de inspirar a criação dos “Passos de Anchieta”, as peregrinações do jesuíta serviram como communitas ideológica, ou seja, como modelo utópico, ao ator Paulo De Paula que, na década de setenta,caminhou pela orla marítima, sozinho, há meia noite, desde a Barra do Jucu até o Convento da Penha8 (cerca de 15km), como forma de experienciar a sensação que tinha o padre.
Com a criação dos “Passos de Anchieta”, pela ABAPA, em 1998, a peregrinação, a princípio espontânea, passa a se institucionalizar e apresentar certa organização, estruturação. Surge uma communitas normativa, onde, apesar de não verificarem-se os mesmos laços e oposições sociais característicos da vida cotidiana, há uma organização institucionalizada, que oferece um apoio logístico aos participantes, como hospedagem, atendimento médico e mobilização da Polícia Militar, por exemplo.
O próprio fato dos participantes formarem grupos de vizinhos, amigos, companheiros de trabalho, estudantes, para participar do evento, é indício da persistência da estrutura na peregrinação. No entanto, esta estrutura é amenizada, não se mantém no mesmo nível observado nas relações sociais ordinárias. Como me informou o andarilho Patrick, 28 anos, ”(...) as pessoas acabam se separando um pouco de seus grupos originais e conhecendo outras no caminho, com as quais sofrem juntas”.
Dessa forma, mesmo com o surgimento de uma communitas normativa, resta lugar para a espontaneidade, na medida em que muitos participantes tomam a peregrinação como um momento de integração com as pessoas, de ênfase no aspecto comunal da vida social e de distanciamento físico e espiritual do cotidiano, marcado pelas relações estruturadas e hierarquizadas. O que se observa, portanto, é uma tensão ou oposição permanente entre espontaneidade e normatização.
Na Barra do Jucu
A Barra do Jucu, bairro situado a cerca de 15 km ao sul do centro da cidade de Vila Velha, costuma ser visitada durante todo o ano, em especial nos feriados e fins de semana, por pessoas da classe média urbana, em busca de um lugar bucólico, onde pratica-se surfe e pesca artesanal, as ruas são de paralelepípedo ou de barro, na beira do rio Jucu e do oceano Atlântico. O local é freqüentado também durante a noite e tido como reduto de intelectuais, artistas e boêmios.
O peregrino que já visitou a Barra do Jucu em dias “normais” certamente fica surpreso ao chegar ao local durante os “Passos de Anchieta”. O bairro fica visivelmente mais movimentado, os bares e restaurantes lotados, assim como as pousadas, havendo até pessoas que cedem quartos de suas casas como forma de ganhar algum dinheiro durante a passagem dos peregrinos.
O ponto de concentração é a praça central “Pedro Valadares”. Junto dessa praça há uma Igreja, construída em 1913 sobre um ponto onde José de Anchieta, ainda no século XVI, teria rezado missa, quando de sua peregrinação quinzenal ao Colégio de São Tiago, em Vitória. As pessoas parecem não devotar nenhuma atenção especial a Igreja, mas se concentram na praça contígua, onde sentam-se à sombra, retiram seus sapatos, bebem água e se restabelecem antes de seguirem para algum restaurante ou pousada.
Victor Turner fala da associação das peregrinações com o implemento do comércio, realização de festas e relaciona o desenvolvimento de algumas cidades em função destas serem centros de peregrinações: “Prilgrimage centers, in fact, generate a ‘field’. I am tempted to speculate wheter they have played at least as important a role in the growth of cities, markeds, and roads as economic and political factors” (1974b: 226)”.
Não posso ainda especular sobre se “Os Passos de Anchieta” produzirão um grande desenvolvimento da localidade de Barra do Jucu, mas sem dúvida, durante a passagem dos peregrinos, é notória a intensidade e diversidade de atividades realizadas no lugar.
No momento em que entrevistava Lilico, por exemplo, assistíamos a uma apresentação de Ticumbi, uma manifestação cultural que envolve dança e música, de origem afro- brasileira. Todo o ano é apresentada também a já mencionada peça “Anchieta: depoimento”, na área em frente à Igreja Católica local, envolvendo também a Banda de Congo Mirim da Barra do Jucu. Assim como o Ticumbi, o congo tem origem afro- brasileira. Além das manifestações culturais citadas, ocorrem também shows de bandas locais, que misturam reggae, rock ‘n roll e congo, na Casa da Cultura, a cerca de 300m da praça central.
Interagem, portanto, uma série de atores, desempenhando diferentes papéis, sejam andarilhos, artistas, comerciantes, moradores locais, lideranças religiosas, entre outros. Estas diferentes performances9 tomam lugar na Barra do Jucu, ao longo de todo o dia. Na manhã seguinte os andarilhos partem para a localidade de Setiba, na cidade de Guarapari.
Multiplicidade de significados
Os motivos que levam à participação na peregrinação são diversos. Bárbara, 19 anos, por exemplo, me disse que gostava de participar da caminhada por diversão, junto de seus amigos. Wiliam, 25 anos, enfatizou a oportunidade de conhecer partes do litoral que não são apreciadas quando se viaja de carro. Por outro lado, alguém que observe os andarilhos que chegam na Barra do Jucu, certamente perceberá diferenças de atitudes entre eles (alguns visivelmente compenetrados, outros bebendo cerveja descontraidamente).
Van der Veer (1992), ao analisar a devoção dos Sufis aos santos, em Surat, Índia, identificou uma diversidade de significados atribuídos ao ritual, seja pelos hindus, pelos muçulmanos reformadores, pelos faquirs, etc. Como observei na Barra do Jucu, os andarilhos, os turistas e as pessoas da localidade, também atribuem uma multiplicidade de significados à peregrinação, sejam religiosos, de interesse turístico, econômico, entretenimento ou como atividade física, o que advém das diferentes relações que as pessoas estabelecem com o evento e da posição dentro dele (como andarilho, como organizador do evento, como padre da paróquia local, como turista, como comerciante local, como artista a desempenhar alguma performance durante o evento)
Como me informou o padre responsável pela Paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes (que inclui a Barra do Jucu): “Os Passos de Anchieta extrapolam o significado religioso, tendo um papel turístico e cultural muito grande (...) e em função da diversidade dos participantes, nós não rezamos missa, já que muitos deles podem ter outras religiões”. Apesar, portanto, da referência constante a José de Anchieta, o significado religioso não domina o discurso sobre o evento, havendo na verdade, uma multiplicidade de significados sendo atribuídos, mas sem que nenhum seja predominante.
Espontaneidade e obrigatoriedade
O percurso dos Passos de Anchieta pode ser feito a pé, a cavalo, de bicicleta ou mesmo de barco, pelo litoral. Como pude observar, um dos elementos que parecem centrais na performance dos peregrinos é a dimensão meritória de se completar o percurso. Este mérito é enfatizado pelos carimbos que os participantes recebem a cada ponto que avançam na peregrinação e que comprovam, publicamente, a trajetória percorrida.
A idéia de mérito ajuda a entender a relação entre dois pólos presentes nas peregrinações: a obrigatoriedade e a espontaneidade. No cristianismo, ainda que as visitas aos centros de peregrinação não sejam obrigatórias, muitos fiéis as realizam espontaneamente como forma de demonstração pública da fé.
Mas apesar deste elemento de espontaneidade, uma vez iniciado a peregrinação, a trajetória deve ser cumprida até o final. É o que nos mostra o exemplo de Victor Turner (1974b: 218) referente à história contada no México, de que, na peregrinação de Chalma, alguém que comece a reclamar da jornada e resolva voltar para casa, será transformado em uma rocha. Vale, portanto, a máxima de do autor “(…) when one begins with voluntariness, obligation tends to enter the scene (1974b: 175):”
O mérito de completar o percurso parece o elemento que articula a ambigüidade da peregrinação, como algo ao mesmo tempo desejável e obrigatório. Esta dimensão obrigatória que a peregrinação assume pude observar no esforço de pessoas exaustas, algumas vezes feridas com calos e inchaços nos pés, mas que mesmo assim deram continuidade à jornada.
Patrick, 28 anos, me falou sobre sua participação em um ano anterior, quando fez parte do último grupo a completar a caminhada, junto de duas amigas que, esgotadas pela jornada (que na época era realizada no período mais reduzido de três dias), choravam, mas relutavam em abandonar o percurso.
Conclusão
Os “Passos de Anchieta” representam uma boa oportunidade de verificarmos a ocorrência de um período liminar, interestrutural, na vida social. Durante a peregrinação, as relações cotidianas estruturadas e hierarquizadas são, em grande parte, relativizadas e dão espaço para o surgimento espontâneo de identificação entre as pessoas, que compartilham uma condição comum de superar um desafio em comum. E é a idéia da sociedade como processo, por sua vez, que permite conciliar este movimento entre estrutura e liminaridade, presente em unidades processuais de diversos tipos, como dramas sociais, ritos de passagem ou mesmo peregrinações.
Na Barra do Jucu, apesar de uma intensificação do comércio local de pousadas e restaurantes, não há o desenvolvimento de um comércio de souvenirs ou lembranças da peregrinação, tão comum nos centros turísticos em geral. No entanto, o simbolismo de José de Anchieta está presente em diversas mídias (em camisetas, peça teatral, materiais de divulgação), de maneira a reforçar nos participantes a dimensão experiencial da peregrinação. Há, além disso, um certificado emitido pela organização, devidamente carimbado ao longo do percurso e que atesta publicamente o cumprimento da jornada.
No dia em que observei a chegada dos andarilhos na Barra do Jucu, muitos eram os curiosos, os comerciantes, os artistas, turistas, policiais, todos envolvidos de uma forma ou de outra com o evento, produzindo diferentes performances e interpretações do que era vivido. Pude perceber, portanto, que apesar da ênfase no simbolismo do padre Anchieta, o discurso religioso não chega a dominar o significado do evento, havendo, na verdade, uma multiplicidade de significados atribuídos à peregrinação, mas sem que nenhum chegue a marginalizar completamente os outros.
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Sites Consultados:
http://www.abapa.org.br/
BIBLIOGRAFIA
Turner, Victor. O Processo Ritual. Petrópolis, Vozes, 1974a
___________. Dramas, Fields and Metaphors: Symbolic Action in Human Society. Ithaca: Cornell University Press, 1974b.
___________. The Anthropology of Performance. New York: Performing Arts Journal Publication, 1987.
___________. Floresta de Símbolos. Niterói: EDUFF, 2005
Tambiah, Stanley. A Performative Approach to Ritual. In: Culture, Thought and Social Action: An Anthropological Perspective. Cambridge. MA: havard University Press, 1985.
Van de Veer, Peter. Playing or Praying: A Sufi Saint’s Day in Surat. In: The Journal of Asian Studies, no. 3 (August 1992): 545- 564. Association for Asian Studies, Inc. 1992.
1 Associação Brasileira Amigos dos Passos de Anchieta
2 Aceitando a sugestão de Turner (1974b: 201), falo em estrutura, não no sentido de estrutura inconsciente, como proposto por Lévi- Strauss, mas como as relações entre pessoas e grupos, que oscilam entre fixidez e movimento e estão acessíveis na superfície do processo social.
3 Como Igrejas, lugares históricos, unidades de conservação da natureza, que são inúmeros, e estão acessíveis no site da ABAPA, indicado ao final do texto.
4 Victor Turner (2005: 49) seguindo a definição do Concise Oxford Dictionary (1951) pensa o símbolo como “uma coisa encarada pelo consenso geral como tipificando ou representando ou lembrando algo através da posse de qualidades análogas ou por meio de associações em fatos ou pensamentos”.
5 Poderíamos também identificar os símbolos dominantes de cada etapa da peregrinação, mas como o tempo disposto para a pesquisa foi curto, proponho fazer referência apenas ao que me pareceu o símbolo dominante da peregrinação como um todo.
6 O jesuíta realizou a peregrinação durante os últimos dez anos de sua vida, morrendo aos 63 anos.
7 No entanto, o próprio fato de José de Anchieta ter feito esta peregrinação durante dez anos consecutivos, produziu certa normatização da jornada que realizava.
8 Um centro local de peregrinação para os devotos de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade de Vila Velha.
9 Pensando a vida social como composta por cenas, atos, palcos, onde os atores desempenham papéis para um audiência, Turner (1974b) ressalta o caráter performativo do processo social.

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