domingo, 21 de julho de 2013
cidade mercadoria...
É interessante observar que uma série de estudos antropológicos que tratam do urbano no Brasil indiretamente, como “A casa e a Rua” (DaMatta) ou diretamente, “Quando a rua vira casa” (Mello et al.), enfatizam o tema dos espaços sociais do ponto de vista das diferentes formas de sua apropriação (seja segundo princípios universalistas ou particularistas) e do ponto de vista das formas de sua constituição (seja de acordo modelos racionalistas e planejados ou a partir dos usos cotidianos, vividos e praticados). Nestes estudos, destacam-se os contrastes entre moralidades diferentes projetadas sobre a cidade: a da casa, a da rua, a do planejamento científico e a dos usos informais.
Interessante, no entanto, que nestes estudos as dinâmicas do mercado e do capital não recebem uma ênfase grande para a compreensão da cidade. Trata-se de um período em que os antropólogos tentavam libertar-se de uma tradição das ciências sociais brasileiras que seria marcada por um determinismo econômico de inspiração marxista. Não é sem surpresa, portanto, que vemos hoje o ressurgimento da lógica de mercado como um elemento importante na compreensão do espaço urbano, expresso no uso recorrente das categorias analíticas “cidade-mercadoria” ou “cidade commodity” para compreender os processos de reorganização urbana motivados pelos chamados “grande eventos” como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Cabe perguntar: mudaram as dinâmicas sociais e agora o capitalismo tem um papel mais importante na organização das cidades ou mudou a visada teórica?
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